a hopeless enigma with a laughable cruelty

Entre abril de 2010 e dezembro de 2011, imersa num universo particular e estranho, eu desenvolvi uma série de situações, eventos, performances trabalhando sempre com o mesmo grupo de materiais: : dois pedaços de pele de bicho, um ovo, uma flecha, um buraco, uma música, coca-cola, alguma coisa vermelha, alguma coisa peluda, alguma coisa voando, alguma coisa girando, alguma coisa pingando, alguma coisa vivendo, alguma coisa morrendo. Eu chamei esta série de ‘estudos para Monstro’. Foram seis estudos no total, que aconteceram em lugares e contextos diferentes: Berlin, Curitiba, Nova York e Lisboa. Este filme parece ser mais um – mais um contexto, mais um estudo, mais um Monstro.
A hopeless enigma with a laughable cruelty (Um enigma desesperado com uma crueldade risível) é minha primeira aventura tateando ferramentas e abordagens cinematográficas. Depois de um mergulho em meus arquivos, em uma coleção de imagens gravadas a partir de experiências em estúdio durante estes quase dois anos de pesquisa dentro e em torno deste universo Monstro, eu cheguei a este conjunto específico. Uma jornada de 17 minutos que contém cenas e seqüência compostas e filmadas por mim, combinadas com algumas outras referências que se fazem mais ou menos visíveis: Godard, Bresson, Eisenstein, Bataille, Barthes, Clark, Saudek… O ‘Monstro’ aqui, assim como nos outros estudos, não está conectado a nenhum tipo de ‘besta’ ou ‘animal bizarro’ mas se refere a alguma coisa outra, algo que mora entre (materiais, corpos, imagens, planos). Algo que tento acolher sem domesticar, algo que não tem nome, que eu não conheço, que eu não sei o que é, que nós não sabemos, nem nunca vamos saber – a hopeless enigma.
O que este filme tem em comum ainda com os outros ‘estudos para Monstro’ é o sabor de uma aventura prática, é um acreditar no fazer, desfazer e refazer. Não havia aqui um script pré-estabelecido ou um roteiro para ser seguido, finalmente quase posso dizer que o filme ‘se fez a si mesmo’ seguindo uma lógica própria que canta junto ou no mesmo ritmo de outras lógicas presentes no meu trabalho em performance.  A montagem parece ter tornado ainda mais visível as rimas improváveis entre organicidade e artificialidade, entre erótico e irônico, entre atrocidade e fragilidade. O enigma monstro persiste aqui, com uma crueldade risível.
A hopeless enigma with a laughable cruelty – Trailer

A film by Elisabete Finger
Made in dialogs with Cristóvão A. dos Reis
Supported by: HZT/UdK (Berlin)
Thanks to: Sophie Laly, Kerem Gelebek and Boyan Manchev
Between April 2010 and December 2011 I was immersed in a particular uncanny universe from which I’ve generated a series of situations, events, performances that would somehow include: an egg, two pieces of fur, an arrow, a hole, a song, coca-cola, something red, something hairy, something flying, something turning, something dripping, something living, something dying. I’ve called this series my ‘studies for Monstro’. They were six, and they happened in different places and contexts: Berlin, Curitiba, New York and Lisbon. This film is maybe another one – another context, another study, another Monstro.
A hopeless enigma with a laughable cruelty is my first adventure groping around cinematic approaches and tools. From a dive in my archives, in a collection of images recorded from studio experiences in almost two years research inside and around this Monstro universe, I came out with this particular assemblage. A 17 min journey that contains my personal shots and frames combined with many references that are more or less visible: Godard, Bresson, Eisenstein, Bataille, Barthes, Clark, Saudek… The ‘Monstro’ here as well as in the other studies (the term comes from my Brazilian heritage and stands for monstrous) is not connected to any type of ‘bizarre beast’ but refers to something other, something that lives in between (materials, bodies, images, plans), something I’m trying to host without domesticate, something that doesn’t have a name, that I don’t know, we don’t know and we’ll never get to know – a hopeless enigma. Yet, what this film has in common with the other studies, is the adventure of practice, a belief in making, unmaking and remaking. There was no such a thing as a plot or a script to be followed, ultimately the film ‘made itself’ following an inner logic that sings along with the ones present in my performative work, introducing also some new-other issues. The montage made still more visible some improbable rimes between organicity and artificiality, between erotic and ironic, between atrocity and delicacy. The monstrous enigma persists here, and now it presents itself with a laughable cruelty.

 

 

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